Onda de violência no Rio cria jogo de empurra entre Pezão, Paes e Justiça.
- Gabriel de Paiva/Agência O GloboJaime Gold, 56, foi esfaqueado na ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais do Rio. Após o crime, no dia 19 de maio, o policiamento foi reforçado na região
A onda de esfaqueamentos no Rio de Janeiro, incluindo o caso de maior repercussão, o da morte do ciclista Jaime Gold, 56, na última terça-feira (19), deu início a um jogo de empurra entre o prefeito Eduardo Paes (PMDB), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o presidente do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro), Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho.
Nenhum deles se vê responsável pela onda de violência na cidade. Em uma semana, nove pessoas foram feridas por assaltantes armados com facas. A maioria desses crimes tem adolescentes como suspeitos.
A polêmica começou com uma entrevista de Pezão, no dia 20 de maio, quando ele criticou a ação do Judiciário. Em sua versão, a polícia “bateu recorde de prisões em abril, sendo que cerca de 60% eram menores”. Porém, afirmou Pezão, “o policial entra por uma porta e a pessoa [o criminoso] sai pela outra”.
“(…) E, quando fica preso, infelizmente, o desembargador dá uma liminar soltando todos. Se for para cumprir essa lei que está aí, a gente tem que discutir isso com toda a sociedade”, disse ele, em entrevista ao jornal “O Globo”.
“Compreendo o desabafo do governador, mas não posso aceitar essa generalização perigosa (…) O que faltou, e isso é evidente pelo exame dos fatos, foi um policiamento ostensivo eficiente, que fosse preventivo e impedisse a barbárie”, afirmou o desembargador, em nota enviada à imprensa no dia seguinte ao assassinato de Jaime Gold.
“O que a gente vê nesses casos é uma pessoa que sai armada de uma faca, agride, a ponto de levar essa pessoa à morte. Esse não é um criminoso que tem que ser tratado. É um delinquente que tem que ser tratado com a dureza da força policial. Não tem jeito. Isso não é um problema social”, sustentou o prefeito.
A reportagem do UOL conversou com o antropólogo Lenin Pires (Universidade Federal Fluminense) e com o antropólogo e ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Paulo Storani sobre o confronto de versões entre autoridades públicas do Rio. Ambos afirmaram que, em geral, o impasse mostra a falência das políticas públicas de segurança, prevenção e enfrentamento da criminalidade. “É engraçado que esse disse-me-disse não existe quando os poderes dialogam sobre arrecadação de impostos”, ironizou Pires.
Storani também argumentou sobre a carência de uma regulamentação específica, em nível nacional, para a área de segurança pública, que deveria incluir, de acordo com a opinião do especialista, a Guarda Municipal. “Embora a corporação não tenha essa função constitucional, o que a gente observa, na prática, é que a Guarda Municipal também é reconhecida pela população como um instrumento de segurança pública. A presença de guardas municipais nas ruas é importante porque ajuda a coibir o cometimento de delitos”, explicou.
Fonte: Bol.com.br
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